Blog: No campo das finanças, a guerra entre o Ocidente e a Rússia já é mundial

10 de março de 2022

Entenda por que o confronto na Ucrânia vem se estendendo rapidamente para a economia - com bloqueios, sanções, restrições - e como isso afeta o nosso dia a dia

A disputa entre o Ocidente e a Rússia já vinha sendo travada há semanas através dos discursos inflamados dos presidentes Biden e Putin, o que contribuiu para elevar a temperatura na relação entre os dois países. Quando começou a invasão da Ucrânia pela Rússia, o mundo estremeceu com receio de que o conflito pudesse se espalhar pela Europa e consequentemente envolver as grandes forças militares do nosso planeta. Porém, os Estados Unidos e a Europa, até o momento, tem evitado entrar no confronto de forma direta e se limitam a ajudar com envio de armas e ajuda humanitária. E isso, por enquanto, tem feito com que o conflito bélico fique restrito ao território ucraniano, cuja população agora sofre com os horrores da guerra.

No entanto, outra guerra já está em curso, e possui consequências devastadoras, cujos efeitos atingirão quase todo o mundo. São os bloqueios, sanções e restrições impostas à Rússia em resposta à invasão da Ucrânia. O país foi excluído do sistema Swift, de remessas internacionais de divisas, e sofre embargos aos seus produtos, bem como bloqueio de recursos russos no exterior e o rebaixamento dos títulos soberanos. Isso fez com que a moeda russa, o rublo, perdesse muito valor, e levou alguns bancos russos a ficarem insolventes. Muitos exportadores russos não conseguem receber pagamentos, o que faz com que tenham enorme dificuldade de exportar. A Rússia não terá mais financiamento externo no curto prazo, o que ameaça a estabilidade financeira do seu governo.

Houve uma hesitação inicial do Ocidente em implantar as sanções, e isso tem um motivo. É certo que a Rússia será a maior prejudicada, pois é o alvo direto das sanções. Mas haveria impactos em muitos outros países, incluindo aqueles que aplicariam as sanções. É impossível excluir a Rússia (e a Ucrânia) do comércio internacional sem que existam perdas de todos os lados. Grande exportadora de petróleo e gás, e no caso do Brasil, de fertilizantes importantíssimos para o agronegócio, a Rússia está agora à beira de um default (calote na dívida). A desvalorização do rublo e as restrições às exportações fazem a população russa empobrecer e, se as sanções permanecerem durante muto tempo, o PIB russo cairá de forma abrupta, adicionando problemas para a economia de diversos outros países que dependem de negócios com a Rússia.

Por conta da quebra de oferta de trigo e milho exportados pela Ucrânia em guerra, já estamos experimentando aumento no preço dos alimentos. O petróleo e o gás, que são produzidos pela Rússia, também seguirão em alta no curto prazo, impactando o custo da energia de uma forma geral. A consequência será mais pressão inflacionária, e se a inflação aumenta, e principalmente, se dissemina pela economia, isso afetará de forma abrangente o consumo de bens e serviços, por conta da queda do poder de compra da população, o que retroalimenta a crise econômica. E isso em um momento de dolorosa e difícil recuperação por causa da pandemia. Já estamos vivendo um período de inflação elevada, e a guerra nas finanças entre o Ocidente e a Rússia só tende a agravar esse cenário.

O livre comércio internacional aumenta a produtividade e gera riqueza, da seguinte forma: incentiva os países a direcionar seus esforços para a produção de bens e serviços onde são mais eficientes, obtendo através de outros países aquilo que não compensa produzir internamente. Se um país se fecha ao comércio internacional, por iniciativa própria ou não, tende a perder as sinergias e ganhos de produtividade obtidos com as exportações e importações. As sanções e embargos constituem, portanto, uma verdadeira guerra econômico-financeira, não sem consequências e efeitos colaterais que serão sentidos ao redor do mundo.

Apesar deste ser um risco calculado pelos Estados Unidos e pela Europa, os efeitos em cadeia de tão profundas alterações na dinâmica da economia mundial gera ineficiências e carências que não serão supridas em um curto prazo de tempo, a vão atingir a vida de bilhões de pessoas. Países como o Brasil, exportadores de commodities, podem se beneficiar em um primeiro momento. Mas em seguida, a conta chega, e o saldo não será positivo.
 

Autor: Lélio Monteiro / Artigo publicado originalmente em A Gazeta (agazeta.com.br) em 10/03/2022





 

 

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